Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) mostra que mais de metade das crianças obesas analisadas apresentam dois ou mais factores de risco cardiometabólico. Este risco propicia problemas cardiovasculares originados pela hipertensão arterial, diabetes e Síndroma Metabólico, entre outras, comprometendo assim a qualidade e a expectativa de vida.
O estudo, levado a cabo pela investigadora Carla Rêgo, demonstrou ainda que só um terço das crianças seguidas na Consulta de Nutrição Pediátrica num hospital central não apresentou qualquer factor de risco cardiovascular na dependência da obesidade.
A amostra integrou 580 crianças e adolescentes referenciados com sobrepeso ou obesidade observados em 8 anos de investigação.
Segundo Carla Rêgo “Dados preocupantes deste estudo mostram que 72 por cento do historial da obesidade tem início na primeira e segunda infâncias (antes dos 6-7 anos). A persistência de obesidade durante a trajectória da idade pediátrica cursa com forte probabilidade da sua persistência para a vida”.
É de notar ainda que os antecedentes familiares também são um importante indicador da presença da pandemia: 47 por cento das crianças têm ambos os pais também obesos, sendo que apenas 11 por cento não tem nenhum dos progenitores com excesso de peso ou obesidade. Estes dados denotam a provável partilha de alguma predisposição genética associada necessariamente a um ambiente familiar obesogénico (relaxado, indolente e preguiçoso), imprescindível para a expressão da doença.
As conclusões anotam que, para além da gordura corporal total, o perímetro da cintura bem como a duração da doença são importantes indicadores do risco de ocorrência de comorbilidade (depressão e ansiedade).
A alimentação e a actividade física são factores determinantes para um estilo de vida saudável e por consequência eficaz na prevenção e no tratamento/cura da obesidade. Mas a verdade, segundo Carla Rêgo é que “O estilo de vida hoje é muito diferente daquele para o qual o ser humano está geneticamente programado”.
Recorde-se que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou a obesidade como a pandemia do século XXI e que um estudo recente da Direcção Geral de Saúde (DGS) mostra que um terço das crianças portuguesas apresenta excesso de peso.
Escrito por CienciaPT
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